sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Guerra


Eu sou uma sombra que proclama pela escuridão
E nos dias mais claros me encolho nas cavernas
Por mais sábio que seja o mais sábio dos homens
Eles crêem e imaginam os fatos, fatos não contestados
Eu me deprimo e rasgo os fatos e queimo minha identidade
Queimando minha falsa identidade santa que um dia, foi o dia
Onde celebrava junto aos homens sábios, porém todos errados
Caia em terrível conforto por saber que estava salvo
Minha morte chegaria e por isso não temeria mal algum
Agora caio de joelhos com as mãos feridas e alma vazia
Quem realmente eu sou e o que quero, apenas são lembranças
Quando me lembro da guerra e das bombas me recordo também da dor
Porém era está dor me fazia lembrar que realmente era real
O mundo em guerra e partes de corpos voando ao meu lado
Sangue jorrando e gritos da morte tão precoce aos meus ouvidos
Onde eu queria estar e com quem queria era o mais perfeito paraíso
Preferia queimar no inferno ao ver o que via e sentir o que sentia
A arma que eu carregava me pesava, era meu corpo junto a ela
Matar um homem talvez um sábio homem não fosse correto
Cada morte para mim era um pedaço da minha alma que morria
O terror de saber que não era um sonho, mas sim uma realidade terrível
Eu pedia e suplicava, porém ninguém me ouvia a não ser minha mente
Estava em guerra e traçava a guerra também dentro de mim
Quando a guerra acabou, porém na a guerra em minha mente                     
Ouvia o doutor que me falou de um jeito bruto ao capitão
Ele está preso dentro de si, a guerra acabou
Porém a sua própria guerra mal começou;
Agora vejo tudo branco às paredes me condenando
Mostrando cada face que matei e suplicando pela vida
Escuto essas vozes que não me deixam dormir nem sonhar
Estou amarrado, sinto a eletricidade por todo meu corpo
Isso não me faz esquecer apenas me mostra que ainda estou vivo
Para sempre em uma guerra interminável com a minha mente.



Um comentário:

Robert Ramos disse...

Que belo texto, bem escrito verso a verso , meus parabéns