sábado, 7 de abril de 2018

Felicidade

Fico na ilusão de me ver feliz
Quando um peixe volta para o mar
Uma ave liberta da gaiola.

O que é ser?
Humano degradado tudo
Queimando a própria casa
Poluindo a própria água.

Nunca seremos inteiramente felizes
Sem destruir, sem matar, sem diminuir
Afinal o que é ser feliz?

Gostamos de morte, sangue e destruição
Uma verdadeira arena de gladiadores
Sangue não passa apenas de tinta guache.

domingo, 21 de maio de 2017

Pérvia


O amor de uma dama
Impregnado pela meia noite
Meia taça de vinho, meia estrofe
O atalho para o sacrifício.

O Viril que só enxerga seu terceiro braço
Não fita a formosura das curvas singelas
Sem apontar, sem degustar;
Não escuta seus versos
Nem experimenta sua dor
Anseia logo pelo torso cru
Para cima ou para baixo
Cama, parede ou laço.

Há exceção
Alguns reconhecem o cerne
Assimilam que a casa está aberta
Mas não para visitação
Meramente, quiçá

Uma conversa do portão.  

sábado, 20 de maio de 2017

Ventania



Chegou a ventania
Com ela minha paralisia
Que questiono todo dia.

Vejo as estrelas no céu tão diminuídas
Seria eu, na verdade um grão de pó?
Uma formiguinha construindo minha fortaleza
Com cada pedacinho de terra
Mas, ela não é deveras eterna.

Quão patifes somos por pensar na eternidade
Somos puramente iguais na realidade
Cão, gato, porco e papagaio
Morremos da mesma forma
Vivemos no mesmo aquário.

Nossos pais e nossas fraquezas
Herdados por pura natureza
A evolução não trata da certeza
E sim da incerteza.

Foi embora a ventania
Fecho meus olhos e viajo
Para o futuro, presente ou passado.

Memorial




Sinto um vazio dentro de mim
Uma ânsia em meu peito
Estou coberta de devaneio.

Toda minha existência falciforme
Meus passos singelos de solidão
Sinto a coragem gritar meu nome.

Sinto-me cercada de solidão
Uma solidão mentirosa
Que deixa minha existência em vão.

Magnitude esplendorosa
A dor envelhecida em carvalho
Versos de uma mentirosa.

Sou uma borboleta que abre as asas
Voou distante de minha morada
Morro antes de alcançar alçadas.

Olho a chuva da minha varanda existencial
Coberta pela lua
Meu próprio memorial.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

MORTE




Oh morte!
Venhas me buscar
Estou pronta até vestida com o vestido mais bonito
Eu até preparo a sua cela e monto todo o monumento
Corda no pescoço e vou descendo, descendo para lhe encontrar.
Oh morte
Tão escura, negra e pura
Quero seu doce abraço para me confortar
Quero seguir o eterno vazio onde não terei tempo para pensar
Sugue minha alma rapidamente enquanto meu corpo sacoleja sem parar.
Oh morte!
Venha como um dote
Venha me contar seus segredos
Venha tirar meus desejos.
Oh morte!
Transforme-me
Serei sua criada
Serei sua escrava
Morta, serei própria morte.

Monstro de fogo

Correndo para nenhuma direção
Não é assim que quero estar
Sem nenhum motivo real para existir
Sem saber que caminho seguir.
Eu sinto uma força dentro de mim
Que parece me fortalecer cada vez mais
Apesar de outra força sempre me derrubar
Eu ergo minha cabeça e continuo a andar.
Eu existo, mas isso não basta
Eu vivo e isso não acaba
Não quero apenas queimar como fogo na brasa
Quero incendiar.
Sou pouco a pouco apagada pela água
Minha chama que mal chega a alcançar o céu
Queimando minhas vestimentas, estou sem mel
Amarga e solitária, lágrimas que vão apagando o que restou da chama
O que resta é apenas meu corpo na cama.

Vampiro

Eu não sinto mais nada
Meu reflexo não vejo
Meu coração batendo não sinto
Meus sentimentos humanos receio ter perdido.
Sinto fome, mas tenho medo
Pois a única coisa que quero comer
É o doce sangue vermelho.
Estou tão morto
Porém me sinto tão vivo
Me refugiando nas sombras
Sou eu um vampiro.

Nação no picadeiro

Retemos um brado incluso em nós
Que nós acutila integralmente
Corpo, alma e mente.

Nos persuadimos com cada afabilidade espúria
Que cospe em nossa face e pisa em nossa sepultura.

A quimera mais bem tecida
Com primas angelicais
Extirpa do meu íntimo a avaria.

Nossos quereres, utopia
Abduzem nossos proventos
Recitam sem embargo tratar-se de um apreço.

Estamos desprovidos
Nosso horizonte está inerte
Todo nossa carne, papel e vermes.

Minha dubiedade
Os oriundos do porvir
Inuptos e néscios.

Extintos e esfalfados
Nenhuma serenidade em meu óbito
Talhe jogado aos porcos.

A existência para quem está morto
Perspicácia telopsiada
Aberturas sem articular
Engenho ideado.

Descodifica esse seu exemplar
Escarra naquele que não quer te ouvir
Revela a veracidade aterrada.

Oficiais não direi aqui seus títulos
Pão e circo
O gigante está repousando.

⁠⁠⁠História da estrela

Sou uma estrela perante do vasto universo
Ninguém contempla meu brilho entusiasta
Além das fotos, sempre escolhem os planetas
Um bullying universal ante dessas pequenas.

Permaneço intacta testemunhando o clico passar
Quem irá assimilar a minha dor, se há inúmeras como eu
Estrela cadente um dia já foi minha amiga e tombou longinquamente
O que me resta são os observadores que tiram as fotos não permitidas.

Nem mesmo compreendiam minha existência
Elevaram suas cabeças para o céu escuro
Notaram apenas magnifica lua, tão grande e resplandecente
Fui deslocada e esquecida como várias crias murchas.

Estrela, estrelinha, desenhadas vários dias
Enquanto conservo-me na solidão
Nem mesmo meu suicido é possível
Minha luz irá se apagar e com ela uma nula recordação
O universo continuará o mesmo sem mim.
A solidão me alcança
Muito mais que um sentimento
Uma presença invisível
Monstro sugador de minhas felicidades
Sou totalmente espremida.
Olho para a parede por uns minutos
Conto meus dedos, acho isso inútil
Mastigo minhas cartas fantasmagóricas
E rezo para minha própria imagem enegrecida.
Dentro do meu próprio prazer a dor se instaura
Sinto as dores e as náuseas
Arrancando cada pele de minha unha mal cortada
Sinto o arrependimento, e o brilho aqui contido
Esperando por uma chance
Um mero resquício.
Tamanha inútiles de minhas palavras
Somadas com a fúria dentro de minha alma
Espero para gritar para o mundo
A voz que nunca foi ouvida
Mas em ânsia aguarda por solta-la.
Retiro minha máscara
Preciso de remédios para conter a dor
Preciso fugir de mim mesmo
Preciso esquecer meus medos
Estou polindo todos os dias uma mentira
Jogando na parede minha mentalidade infame
Cortando meu cabelo, estragando minhas roupas
Cuspindo em minha própria face morta.
Nada tem um sentido verdadeiro
Estou batendo na porta mais uma vez
Estou ouvindo alguém bater na porta
E não sou capaz de abri-la
Encarar minha face todos os dias.
Sou meu próprio monstro
Todos os medos, de mim mesmo
Regras e mais regras
Eu sou contra essa regra
Vivo mais um dia para me ouvir
Para sentir
Antes de pedir
Para meu eu partir
Sanidade e insanidade
Um adeus.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Mistério

Eu nasci criada em todo esse caos
E em minha escalação já havia um roteiro pronto
Pela cabeça voam os vaga-lumes com novas ideias

Afugentados por toda minha covardia e medo
Coloquei as ideias todas em um pote
Sem quase oxigênio elas sobreviveram
Eis que a luz nunca se apaga quando é verdadeira
Meu choro era ouvido em quase toda a cidade
Mas, tudo bem, era de se esperar essa cruel emancipação.
O sol naquele dia decidiu nem aparecer
Nesse dia nublado e abafado
Minha antiga identidade cometeu suicídio
Em meio a tanto sangue, o alívio.
As balas ao chão pareciam feitas de ferrões
O que me fez pensar, as abelhas fizeram sua ultima aparição?
Mas, tudo bem, seu mel em meu corpo há de se espalhar.
Fazendo de minha personalidade um doce jamais provado.

Às vezes me pergunto mãe, quando chegará a anestesia?
Meu corpo apenas suplica por um minuto no escuro
No meio do lago, largo todas as minhas coisas.
Deixo que meus bilhetinhos se afoguem junto a minha máscara quebrada
E dali eu saio nadando para o buraco de onde sai e dessa vez vou embora.

Meu dinheiro não passa de poucos centavos sujos
Cada nova frase me faz parecer tão solitária
Assim como tudo que comecei e nunca terminei
Nem mesmo as frases, nem mesmo os romances.
Cada novo alvo se põem em minha frente
Enquanto nele jogo minhas flechas de ilusão
Cabeças que rolam pelo chão e eu não me importo.

No meio do nada carrego minha sacola de insegurança
Só quero esquecer como é minha face ao olhar no espelho
Quem sabe jogar essas moedas em uma fonte, fazer um pedido e esperar.
Um dia na minha vida quem sabe fique satisfeita com a resposta
Pois ela vem para mim de uma forma tão mastigada
Quero por favor, fazer da vida um mistério.
Como Holmes Sacrificar-se combatendo Moriarty.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Alarme

Estou perdido dentro de minha mente
Escuto apenas ecos, parece uma cachoeira deslizando.
Não parece ter tempo tudo aqui congelou
Tento correr em direção a saída e logo viro pó
Estou em meu próprio mundo que não posso controlar
Inseguro eu vejo meu corpo morto que se decompõe
Meus olhos choram sem nenhuma lágrima escorrer
Meu grito sai o tão alto que não se pode escutar
Estou morta sou morada em meu próprio fantasma
Que embriagado sobre o cheiro da morte se desgraça
Minha melancolia constante e amarga
Uma tortura tão lenta que me afaga me mata duas vezes
De corpo e alma o que quero é apenas não existir mais

A porta de saída está fechada e o alarme não soou.





segunda-feira, 16 de maio de 2016

Dispenso essa luz

Cada sentimento me leva de volta
Como um barco sem rumo
As ondas fortes me levam a praia
Meu coração já mastigado boia.

Mais anestesiado não poderia estar
Quando da minha janela vejo o luar.

Como um espelho imenso em mim reflete
A luz é só mais uma das coisas que me entristece
Não sou feita da luz e nem sou propensa a segui-la

Eu gosto dessa escuridão que cerca minha vida.

Não pense que sou infeliz por conta disso não
Eu já me acostumei com toda essa solidão
Mas tenho sempre uma boa companhia ao meu lado
Seja onde tem música tocando, chuva e bebida.
Tenho pessoas que gostam de compartilhar suas vidas.

Que vida é essa, nós temos tanta pressa.
Tanta pressa para chegar ao fim
Porque se pensarmos bem nós temos uma grande sorte
Pois a vida segue em uma linha reta para a morte.

Mas essa estrada é você que vai trilhar
Não esqueça o guarda-chuva e as galochas

Você vai é mesmo se molhar.