domingo, 21 de agosto de 2011

Há quem viva há quem morre

Ó vida sofrida que tenho e nem ao menos meu rei tem compaixão
Sou pobre não tenho nenhum tostão em meu bolso furado e comido pelas traças
Todos ao me verem me ignoram e nem mesmo tenho uma casa ou um teto sobre minha cabeça
incomparavelmente falando me obrigastes então a comer os ratos
e com minhas roupas sujas e desconfortáveis eu planejo dormir
espero que não acorde com uma arma em minha cara, não terei para onde fujir
Não sei se me agarro a velha fé,aquela que me comeu por inteiro
agora no frio e no desespero o rei não me acolhe em seu lar
eu não posso gritar algo me consome por dentro como um câncer recém-nascido
em um mato qualquer me recolho, meu aposento sem dignidade
mas tenho certeza que meu rei sofre por minha falta ou por minha petulância
discretamente como uma ovelha que será abatida eu fecho meus olhos
esperando que meu segundo rei de vestes negras me acolha sem distinção
serei seu eterno leal empregado já que meu rei não me quis ao seu lado
deixo a você um recado grudado em minha testa,como eras ruim nem mesmo presta
que está carta que lhe sirva de um cruel conforto mas que não se mate
pois ó meu rei há quem viva há quem morre e concerteza já estas morto.