segunda-feira, 23 de maio de 2011

A vida que não foi minha

Fiz das minhas memórias cartas rasgadas no meu cofre guardando a imunidade
que eu escondo e tolero para esconder de mim mesmo minha tristeza
me pego pensando,se morrer ninguém me irá culpar e não me verão chorando
em minha sepultura quem sabe preparando minha partida desta vida
arrumando minha indecência em uma margem de sacrifico intolerável
espero que a vida que não foi minha seja aproveitada pela linha do tempo
meus brinquedos quebrados me mostram a infância perturbada pelos fantasmas
creio que que por mais besta que fui nessa vida que não foi minha causei terremotos
tudo caiu e os pedaços ficaram no chão apodrecendo junto de minha carcaça
posso te fazer rir te deixar por horas rindo de minha piada sem graça
você não me enxerga nem me ouve, beija minha boca e me absorve
me alucino e me envolvo e quem não se envolve com uma lembrança?
os retratos tão velhos me fazem sorrir para uma vida que não foi minha
eu gasto meu berro e o mundo não para, o mundo não se cala
se eu estou morto minha canção não toca,se eu fumo ou bebo nada me choca
eu costuro a minha alma para não ver todo estrago da vida que não foi minha
mudo a minha imagem quebrando o espelho da minha miragem tão maldita
se eu faço uma tempestade mudar seu rumo sou o rei da sacanagem
eu vejo o carvalho chorar eu vejo a roseira se abrir e o mundo explodir
a vida que nunca foi minha a vida que não foi de ninguém a vida que nunca será.
Espero pela minha morte talvez eu tenha sorte se você se calar e dormir.

Nenhum comentário: